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Guillermo Barros Schelotto (Paraguai)
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Um Paraguai menos «argentinizado» busca voltar ao Mundial

A três meses do início das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, os «guaraníes» tentam retomar o futebol defensivamente forte pelo qual se notabilizaram.

Desde outubro de 2021 a seleção paraguaia está sob o comando de um argentino (Schelotto), que por sua vez teve como antecessor outro argentino (Berizzo).

Apesar de não ter havido mudança de nacionalidade nessa mais recente troca de técnicos, o tipo de futebol que hoje se busca implementar na albirroja é bem diferente.

A cultura do futebol paraguaio

Algumas das mais tradicionais seleções de futebol costumam ser associadas a determinado estilo de jogo, mesmo quando não o praticam. Tal estilo é tipicamente resumido em uma expressão: o «toco y me voy» da Argentina, o «catenaccio» da Itália, o «tiki-taka» da Espanha, o «futebol total» da Holanda.

Embora não seja uma seleção tão vitoriosa quanto as anteriormente citadas, também o Paraguai tem uma cultura futebolística bem distinta. Podemos dizer que os nossos vizinhos de Cone Sul são o que há de mais próximo ao futebol italiano por sua ênfase em uma defesa sólida — independentemente da beleza do futebol praticado.

Foi associada a tal filosofia que a albirroja obteve seus melhores resultados e se classificou às quatro edições da Copa do Mundo realizadas entre 1998 e 2010. Para se ter uma ideia do que isso representa, lembramos que as duas únicas outras seleções da Conmebol presentes em todos esses Mundiais da FIFA foram Argentina e Brasil.

Um período inglório

Veio então a decadência. Os guaraníes não estiveram nos três Mundiais seguintes, tendo por vezes apresentado campanhas pífias no torneio qualificatório sul-americano: nas Eliminatórias de Brasil 2014, a equipe terminou em nono lugar (de nove participantes); nas de Rússia 2018, terminou em sétimo; nas de Catar 2022, terminou em oitavo.

Daí se entende por que desde 2011, quando se encerrou o período de cinco anos do técnico argentino Gerardo «Tata» Martino à frente do Paraguai, a federação de futebol do país efetuou oito trocas de técnicos. (Isso porque não estamos considerando os meses de 2018 nos quais Gustavo Morínigo foi o comandante interino.)

O imenso sucesso que Martino fez na albirroja (foi com ele que a seleção chegou às quartas de final da Copa do Mundo de 2010 e à final da Copa América de 2011) contribuiu muito para que entre os diversos homens que lhe sucederam estivessem os seus conterrâneos Ramón Díaz, Eduardo Berizzo e Guillermo Barros Schelotto.

A filosofia de Berizzo

Com Berizzo, que sucedeu o colombiano Juan Carlos Osorio em fevereiro de 2019, a «argentinização» da seleção paraguaia foi das mais fortes. Desde o seu primeiro ano à frente dos guaraníes, este ex-zagueiro (que vinha de treinar três diferentes clubes da elite espanhola) disse que almejava um futebol mais propositivo.

Em entrevista concedida ao site da FIFA antes da Copa América realizada entre junho e julho de 2019 no Brasil, Berizzo declarou a intenção de ter como padrão de jogo «assumir o controle da bola, ser uma equipe protagonista no ataque a partir da posse de bola». Isso incluía «um esforço coletivo para recuperá-la».

Essa filosofia foi reiterada diversas vezes. Eis uma declaração dada antes da partida de setembro de 2021 contra a Venezuela, em Assunção, pela sétima rodada das Eliminatórias: «Nossa maneira de jogar tem que ser atacar, encontrar os melhores caminhos até o gol, decidir bem as jogadas de ataque. Para isso precisamos ter a bola».

O porém é que já àquela altura os resultados não vinham sendo muito bons. E logo após a desastrosa derrota por 4 x 0 para a Bolívia, em La Paz, em 14 de outubro de 2021, Berizzo foi demitido. Tinham-se disputado doze rodadas das eliminatórias, e o Paraguai, com 12 pontos (33% de aproveitamento), estava em oitavo lugar.

Uma volta às raízes com Schelotto

Desde então o Paraguai tem como treinador Guillermo Barros Schelotto. Sob o comando deste ex-atacante, nas seis rodadas finais das eliminatórias a equipe somou 4 pontos (22% de aproveitamento) e, portanto, terminou com 16. O Peru (que, como o quinto colocado, disputou a repescagem intercontinental) terminou com 24.

Verificou-se com o novo treinador o que poderia ser descrito como uma «volta às raízes». O ponta-direita Miguel Almirón (provavelmente a grande estrela da equipe), numa entrevista dada no fim do ano passado, observou que Schelotto «tem um jogo mais direto». Em outras palavras: a posse de bola agora é secundária.

Talvez Schelotto até preferisse um futebol mais propositivo mas tenha se visto forçado a dar o braço a torcer. Em conferência de imprensa dias antes da única partida em 2023 até aqui (o amistoso de março com o Chile, em Santiago), o argentino disse «Não podemos nós, como treinadores, [...] impor um jogo [com o qual] o jogador paraguaio se sinta incômodo».

O técnico atual tem pela frente o desafio de adaptar a albirroja às demandas do futebol moderno (velocidade e intensidade) sem perder aquilo que ela tradicionalmente tem de melhor. É curto o tempo para realizar essa proposta (as próximas eliminatórias começam em setembro), mas pelo menos já há uma ideia da rota a ser traçada.

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