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O que os seis anos do América-RN na Série D nos dizem sobre o formato da competição

As campanhas do América de Natal na quarta divisão nacional, de 2017 a 2022, nos levam a sugerir um novo formato de disputa.

[Artigo originalmente publicado em 6 de setembro de 2022.]

Tendo sido rebaixado em 2016 pela primeira vez na história à Série D do Campeonato Brasileiro, o América-RN levou seis anos para conquistar o acesso à Série C.

Uma análise da trajetória do clube potiguar na quarta divisão nacional nesse período oferece bom argumento a favor de uma mudança no formato de disputa da competição.

Os mata-matas da Série D

Antes de tratarmos do caso específico do América de Natal, falemos da forma com que a Série D define os seus quatro classificados à Série C.

Desde a sua primeira edição, em 2009, a quarta divisão do futebol brasileiro segue basicamente o mesmo formato. (A diferença principal reside no aumento da quantidade de participantes desde então.)

Na primeira fase deste ano, as suas 68 equipes foram divididas em oito grupos, nos quais todas jogaram entre si em turno e returno.

Os quatro primeiros de cada grupo se classificaram à fase seguinte. A partir daí, o regulamento prevê cinco fases de mata-matas: segunda fase, terceira fase, quartas de final, semifinais e finais.

Como os classificados às semifinais têm o acesso à terceira divisão da temporada seguinte garantido, cada clube precisa passar por três mata-matas distintos para conquistar o seu objetivo na competição.

E é nesses jogos eliminatórios que não raro os favoritos para subir acabam caindo perante equipes teoricamente menos competitivas.

O ''calvário'' do Alvirrubro da Rodrigues Alves

Voltemos então ao caso do América, analisando brevemente as suas seis temporadas na Série D.

Em 2017, o Alvirrubro terminou em primeiro lugar geral na primeira fase. Após passar pelos dois primeiros mata-matas, o clube foi eliminado nas quartas de final pelo Juazeirense (BA).

Em 2018, os potiguares fizeram a quinta melhor campanha da fase inicial. Mas logo no mata-mata da segunda fase o clube foi eliminado, nos pênaltis, pelo Imperatriz (MA).

Em 2019, novamente o América fez a quinta melhor campanha da primeira fase. Tendo passado também pela seguinte, a equipe foi eliminada na terceira fase pelo Jacuipense (BA).

Em 2020, o Mecão foi inicialmente o sexto melhor. Após passarem pela segunda e terceira fases, os potiguares foram eliminados nas quartas de final pelo Floresta (CE).

Em 2021, o Dragão foi apenas o terceiro em seu grupo. Ainda assim, a equipe passou pelos dois primeiros mata-matas, sendo eliminada nas quartas de final — nos pênaltis — pelo Campinense (PB).

Nesses cinco anos, apenas duas vezes (em 2019 e em 2021) o clube do Rio Grande do Norte foi eliminado por um adversário de melhor campanha na fase de grupos.

Em 2022, por ironia, deu-se o contrário: os natalenses, que fizeram apenas 24 pontos na fase inicial, eliminaram nas quartas de final o Caxias (RS), que fez 27 pontos.

Como dito, essa não é uma situação rara. A questão é O que fazer a respeito?.

A solução mais simples

Provavelmente não seria muito sensato sugerir que, com 64 equipes, a Série D fosse disputada unicamente no sistema de pontos corridos em turno e returno (como é o caso das Séries A e B).

Outra possibilidade seria adotar uma abordagem rigorosa na fase inicial: em vez de os quatro melhores de cada grupo, apenas os vencedores se classificariam à fase seguinte.

Assim, na segunda fase teríamos oito equipes — em vez das atuais 32 —, o que nos permitiria seguir o atual modelo de disputa da Série C.

Na segunda fase da terceira divisão nacional, os oito remanescentes são divididos em dois grupos, nos quais se enfrentam entre si em turno e returno.

Os quatro que terminam nas duas primeiras posições de cada grupo ao fim dessas seis rodadas são os classificados à Série B da temporada seguinte.

Depois disso, os vencedores de cada grupo se enfrentam em jogos de ida e volta pelo título da Série C.

Benefícios logísticos e esportivos

Qualquer mudança na fórmula de disputa de uma competição de futebol no Brasil deve ser encarada com cautela, pois pode fazer com que as equipes tenham muitos jogos a mais ou a menos.

Felizmente, isso não aconteceria se adotássemos o formato aqui sugerido.

Atualmente, os dois finalistas da Série D disputam 24 jogos: quatorze na fase de grupos e dois em cada uma das cinco fases eliminatórias que se seguem.

A mudança para uma segunda fase disputada em quadrangular faria com que os finalistas disputassem 22 jogos: quatorze na primeira fase, seis na segunda e dois nas finais.

Mas o mais importante é que, dessa forma, a quarta divisão finalmente cumpriria o seu mais nobre propósito: estimular a profissionalização do futebol brasileiro.

Assim, os clubes que viessem a disputar as próximas Séries D saberiam que, se devidamente estruturados, não precisariam passar pelo ''calvário'' que o América passou nos últimos seis anos.

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