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Léo Pereira e Fabrício Bruno (Flamengo)
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Eficiência não basta para o Rubro-Negro

Tite vem dando consistência ao Flamengo, mas a torcida do «urubu» ainda sente falta de espetáculo.

O Flamengo deste início de 2024 já é bastante mais confiável do que o Flamengo de 2023. Falta saber se o seu treinador, Tite, conseguirá (ou mesmo quererá) fazer do urubu uma equipe encantadora.

Uma obsessão justificada

Tite

Tite é daqueles treinadores que preferem vencer por 1 x 0 do que por 4 x 1. Isso ficou nítido em seus seis anos à frente da seleção brasileira: foram 81 partidas e apenas 30 gols contra (média de 0,37 por jogo). A única vez em que, sob o seu comando, a canarinho sofreu mais de um gol no mesmo dia foi o 2 x 1 para a Bélgica na Copa do Mundo de 2018.

No Brasileirão 2023 o Flamengo o teve como técnico nas doze rodadas finais, nas quais foi vazado em seis partidas e sofreu onze gols (média de 0,92). Esses números indicavam que o gaúcho teria muito trabalho durante a pré-temporada para tornar o rubro-negro carioca uma equipe que fosse, em primeiro lugar, consistente do ponto de vista defensivo.

Em 2024 a evolução tem sido nítida. Dez dias atrás, Fred Gomes e Thiago Lima observaram em matéria publicada no portal ge que, em seis jogos com sua equipe principal (incluindo amistosos), o Flamengo só havia sido vazado uma vez. E a baliza defendida pelo argentino Agustín Rossi passou incólume nos dérbis com o Vasco (0 x 0) e o Botafogo (1 x 0).

Um longo caminho até Tite

Renato Portaluppi/Gaúcho

Como esperado, o Flamengo de Tite é bem mais sóbrio que o sempre impositivo urubu comandado por Jorge Jesus entre 2019 e 2020. De lá para cá quem chegou perto de repetir esse estilo foi Renato Portaluppi, em 2021. Mas aquele ano terminou com derrota na final da Copa Libertadores para o menos glamouroso Palmeiras de Abel Ferreira.

2022 começou com Paulo Sousa, demitido em junho para dar lugar a Dorival Júnior. Sob o comando do atual técnico da seleção brasileira o Flamengo conquistou tanto a Copa do Brasil quanto a Copa Libertadores, mas não encantou. Em 2023, antes do acerto com Tite, houve as malsucedidas passagens de Vítor Pereira e Jorge Sampaoli.

Tite reúne as melhores características de seus últimos antecessores: assim como Portaluppi, sabe gerir um grupo; assim como Sousa, sabe falar com a imprensa; assim como Pereira, sabe conferir intensidade à equipe; assim como Dorival, sabe valorizar o talento dos atletas; assim como Sampaoli, sabe tomar decisões táticas inortodoxas.

Um choque de culturas

Jorge Jesus

O problema é que, no Flamengo, espera-se algo que Tite não costuma oferecer. Em vídeo publicado no ge em 8 de fevereiro, André Rizek resumiu bem esse contraste de estilos: a marca do caxiense em seus melhores trabalhos por clubes foi o equilíbrio, mas o sonho do rubro-negro carioca é reeditar o futebol avassalador dos tempos de Jorge Jesus.

Rizek não chegou a dizer se era isso que a atual diretoria desejava, mas enfatizou que era isso que a torcida exigia antes mesmo de 2019 por parte de qualquer um que assumisse o comando técnico do urubu. (Esse foi um dos motivos de, pelo menos a princípio, a maioria dos rubro-negros não ter achado ruim a saída de Dorival.)

Ao concluir sua análise, o comentarista do grupo Globo perguntou-se se o Flamengo de Tite jogaria como a torcida gosta. Talvez uma pergunta ainda mais relevante seja esta: Se o Flamengo com Tite tiver sucesso em 2024 (leia-se: se vencer pelo menos dois grandes títulos), a torcida terá por ele um carinho tão grande quanto o que tem por Jesus?.

Um reencontro revelador

Fernando Diniz (Fluminense)

Desde aquele vídeo publicado por Rizek, o Flamengo conseguiu vitórias seguras no Campeonato Carioca contra dois adversários não muito expressivos: 3 x 0 sobre o Volta Redonda e 3 x 0 sobre o Bangu. Em ambos os jogos os homens de Tite finalizaram pelo menos vinte vezes e tiveram (segundo o Sofascore) índice xG contra inferior a 0,35.

O compromisso desta terça-feira, com o Boavista, será o último antes do jogo mais aguardado da Taça Guanabara: no domingo, pela penúltima rodada, Flamengo e Fluminense se enfrentam para provavelmente decidir quem terminará em primeiro lugar. Este será um prato cheio para análises de desempenho defensivo e ofensivo, individual e coletivo.

Em 2022 e 2023 o tricolor das Laranjeiras sagrou-se campeão estadual derrotando o rubro-negro da Gávea na decisão. Mas no momento isso é quase secundário. Para a torcida do Fla, o que mais dói é ver que o Flu de Fernando Diniz é desde o ano passado o paradigma de futebol bonito e envolvente no Rio de Janeiro, no Brasil e na América do Sul.

Ambas as equipes são as únicas cariocas ainda invictas em 2024. De qualquer modo, para o urubu a importância de sair-se bem contra o pó de arroz extrapola as estatísticas. Se quiser conquistar sua torcida, o Flamengo de Tite precisará derrotar o Fluminense sendo não apenas seguro em termos defensivos mas também imponente em termos ofensivos.

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