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  1. Futebol

Critérios para se definir o grande ídolo de um clube

Definir o maior ídolo de um grande clube de futebol não é tarefa das mais fáceis, mas há critérios que ajudam nesse processo.

[Artigo originalmente publicado em 2 de agosto de 2022.]

Em 2020, o portal ge organizou uma enquete entre cem jornalistas sobre quem seria o maior ídolo do Fluminense. O primeiro colocado foi Castilho, e o segundo Fred (que acabava de retornar ao clube).

Dois anos depois, a aposentadoria de Fred intensificou essa discussão, ainda mais porque o próprio presidente do clube, Mário Bittencourt, opinou que o atacante havia se transformado no ídolo máximo do Tricolor das Laranjeiras.

A disputa entre Castilho e Fred talvez nunca tenha fim, visto que a maioria dos fãs de futebol de hoje não viu o goleiro — que se aposentou em 1965 — em ação.

Ainda assim, essa discussão nos leva a refletir sobre o que é necessário para que um atleta seja considerado o maior de determinado clube. Abaixo, expomos quatro critérios para se fazer tal escolha.

Títulos

Uma das virtudes que os maiores craques têm em comum é ajudar seus companheiros a jogarem num nível mais elevado do que normalmente o fariam.

Assim, embora um grande ídolo não precise estar entre os maiores campeões da história de uma instituição, é importante que ele tenha feito parte de equipes vencedoras; isso mostra a sua capacidade de inspirar e liderar outros jogadores.

Essa é a razão pela qual seria difícil considerar Rivellino o maior ídolo do Corinthians. Em seus nove anos no Parque São Jorge, o único título de expressão do Timão foi o Torneio Rio-São Paulo de 1966 — e ainda assim dividido com três outros clubes.

O goleiro Cássio, por outro lado, além de ser o jogador com mais conquistas na história corintiana, atende a todos os outros requisitos que veremos a seguir.

Identificação

Um jogador não precisa ser torcedor de determinado time para se tornar o seu maior ídolo, mas é preciso que ele tenha criado uma identificação com tal clube maior do que com qualquer outro.

Eis porque Romário, mesmo tendo sido revelado em São Januário e alcançado grandes marcas com a cruz pátea ao peito, provavelmente nunca será considerado o maior nome do Vasco.

O principal motivo para isso é que, quando voltou ao Brasil, em 1995, o Baixinho foi justamente para o arquirrival do Almirante, o Flamengo. E, mesmo depois de se aposentar, Romário fez diversos elogios à torcida rubro-negra.

Já Edmundo, embora tampouco seja o maior ídolo do Gigante da Colina, é visto com mais carinho pela sua torcida. O Animal também atuou pelo Flamengo; a diferença é que sempre foi vascaíno declarado.

Tempo de casa

Não é necessário que um jogador atue a maior parte da carreira por um clube para ser o seu grande nome; mas é necessário que ele tenha passado tempo suficiente em um só lugar para que todos se acostumem a vê-lo com aquela única camisa.

Tomemos como exemplo Alex (ou Alex de Souza). Pelo Cruzeiro, o meia conquistou o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro de 2003 e o Campeonato Mineiro de 2004.

Seus dois anos em Belo Horizonte bastaram para que ele se tornasse um dos grandes ídolos do lado azul de Minas Gerais e o principal jogador em atuação no futebol brasileiro na época.

Nunca saberemos o que teria acontecido se Alex tivesse ficado mais tempo na Toca da Raposa. O que sabemos é que poucos o consideram hoje um nome tão importante na história do Cruzeiro quanto Tostão, que jogou pelos mineiros de 1964 a 1971.

Fatores extra-campo

Existem limites de conduta que, se ultrapassados, causam manchas quase irreparáveis na dignidade e na reputação de um ser humano.

Com essa reflexão em mente, imaginemos por um momento que Pelé nunca tivesse atuado pelo Santos. Quem ocuparia o seu lugar como o maior ídolo do Peixe?

Não há como responder a essa pergunta. Sem a companhia do Rei do Futebol, outros grandes ídolos santistas, como Coutinho, Pepe e Zito, dificilmente teriam conquistado tudo o que conquistaram.

O certo é que, mesmo se nenhum dos nomes citados no parágrafo anterior tivesse jogado pelo Santos, o maior ídolo do Alvinegro Praiano jamais poderia ser Robinho.

E isso nada tem a ver com o que o ex-atacante fez dentro de campo, e sim com o crime pelo qual foi condenado fora dele.

Histórias sem fim

Os critérios expostos elucidam o porquê de não se discutir que Zico é o maior ídolo do Flamengo ou que Rogério Ceni é o maior ídolo do São Paulo.

Além do Fluminense, outro grande clube do país em que essa resposta é menos óbvia é o Internacional — seria o maior ídolo do Colorado Figueroa ou Falcão?

A verdade é que, no fundo, todas essas discussões estarão sempre em aberto. Porque no futebol a história está sempre sendo escrita — e reescrita.

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