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Mehdi Taremi (Irã) e Amjad Attwan (Iraque)
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As seleções asiáticas no contexto da expansão da Copa do Mundo

O retrospecto das equipes filiadas à AFC em Mundiais mostra o que esperar da futura expansão do torneio.

Uma das decisões mais controversas da FIFA foi a de expandir o número de seleções na Copa do Mundo.

E o exemplo das seleções asiáticas mostra o porquê de tal decisão ser um erro.

Diferentes caminhos

No atual formato da Copa do Mundo, a AFC (Confederação Asiática de Futebol) costuma ter direito a quatro ou cinco representantes.

Como o Mundial de seleções deste ano terá como país-sede o Catar, abriu-se a possibilidade de termos pela primeira vez na história seis equipes filiadas à AFC.

Tal possibilidade se concretizou quando a Austrália (que, embora localizada na Oceania, disputa as Eliminatórias Asiáticas há alguns anos) passou pela repescagem intercontinental.

Antes disso Irã, Coreia do Sul, Japão e Arábia Saudita conquistaram as quatro vagas diretas concedidas a países da Ásia.

Veremos adiante que, em termos de retrospecto, ter seis seleções da AFC em uma única Copa do Mundo é um exagero.

Daí por que a expansão pela qual o mais importante dos torneios de futebol passará daqui a quatro anos nos faz olhar com preocupação para o seu futuro.

As cinco melhores

Desde 1998, 32 equipes disputam a Copa do Mundo. A partir de 2026, serão 48 participantes.

Uma das consequências disso é que os atuais quatro ou cinco representantes da AFC serão oito ou nove.

O porquê de uma mudança como essa ser uma má ideia se resume a uma palavra: competitividade.

As Eliminatórias da AFC apresentam um grau de previsibilidade alto. Podemos inclusive falar de um G5 de seleções que sobressaem sobre as demais.

Essas cinco são as únicas que já se classificaram a três ou mais edições do torneio.

A Coreia do Sul é a recordista, com onze classificações. Em seguida vem o Japão, com sete, e a Austrália, o Irã e a Arábia Saudita, com seis.

2002 foi a primeira e única vez que um representante da AFC chegou a uma semifinal. (No caso, a Coreia do Sul, que naquele ano sediou o torneio junto do Japão).

Isso já deveria ser um bom indício de que a maior parte das oito ou nove equipes asiáticas no próximo Mundial de seleções dificilmente desempenhará um papel relevante.

Para reforçar a nossa argumentação, analisemos também o retrospecto dos outros asiáticos em Copas do Mundo.

As outras

Ao todo, treze países-membros da AFC se classificaram a pelo menos uma edição do torneio (incluindo o Catar, que estreia neste ano).

Fora do G5, a única que tem mais de um Mundial no currículo é a Coreia do Norte (que disputou os de 1966 e 2010).

Com apenas uma participação temos Indonésia (quando ainda se chamava Índias Orientais Holandesas), Israel, Kuwait, Iraque (hoje filiado à UEFA), Emirados Árabes e China.

As seis seleções mencionadas no parágrafo acima têm em comum também o fato de terem sido eliminadas na primeira fase do torneio.

A partir daí, a pergunta passa ser Alguma equipe fora do G5 asiático tem perspectiva de se tornar uma potência na região?.

O caso iraquiano

Vamos começar a última parte dessa análise observando as nove seleções filiadas à AFC mais bem colocadas no atual ranking da FIFA (atualizado em 6 de outubro):

posição no ranking

seleção

20.ª

Irã

24.ª

Japão

28.ª

Coreia do Sul

38.ª

Austrália

50.ª

Catar

51.ª

Arábia Saudita

68.ª

Iraque

70.ª

Emirados Árabes

75.ª

Omã

Como se vê, as seis primeiras são as que estarão na Copa do Mundo deste ano.

Em seguida vem o Iraque, que (sob o comando do brasileiro Evaristo de Macedo) disputou seu único Mundial em 1986. Foram três derrotas em três jogos.

Os Leões da Mesopotâmia chegaram a vencer a Copa da Ásia de 2007, mas não foram capazes de conquistar a classificação à Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

E isso nem de longe foi uma surpresa.

O Japão, campeão asiático de 2011, foi o último em seu grupo em Brasil 2014. E a Austrália, campeã asiática de 2015, foi a última em seu grupo em Rússia 2018.

Mesmo que conquiste a Copa da Ásia novamente em 2023 e se classifique ao Mundial seguinte, nada indica que o Iraque mudará seu estatuto no futebol internacional.

No médio/longo prazo, uma seleção pode se tornar competitiva. Mas o que acontecerá se acelerarmos esse processo ao tornar a sua vida nas Eliminatórias mais fácil?

Essa é a reflexão que nos cabe fazer a respeito da seleção iraquiana. Mesmo sendo hoje a 68.ª melhor do mundo, suas chances de estar entre as 48 do Mundial de 2026 são grandes.

Já as suas chances de passar de fase seguirão sendo baixas.

E assim será pelo menos por mais alguns anos. Mesmo que a FIFA mantenha a sua decisão de expandir a Copa do Mundo.

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