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Inglaterra
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A permanência de Gareth Southgate no comando da Inglaterra

Pouco após a eliminação da Inglaterra na última Copa do Mundo, o treinador Gareth Southgate confirmou que cumprirá seu contrato até a Euro 2024.

[Traduzido e adaptado de ''World Cup: Gareth Southgate to stay as England manager until Euro 2024''.]

Por mais que Southgate esteja longe de ser unanimidade entre os torcedores ingleses, é inegável que este nativo de Watford vem sendo o mais bem-sucedido treinador dos Three Lions desde Sir Alf Ramsey (que os comandou de 1963 a 1974).

É difícil definir o sucesso no futebol — e mais ainda no contexto do futebol de seleções — mas, comparado com os que vieram imediatamente antes dele, Southgate tem feito um belo trabalho (coisa que ninguém teria esperado em 2016).

Um histórico de frustrações

Ainda que Sir Bobby Robson e Terry Venables tenham levado a Inglaterra a semifinais de torneios importantes, antes do atual treinador da seleção apenas o já citado Ramsey conseguiu conduzi-la a uma grande final.

E não esqueçamos que mesmo alcançar as fases decisivas das principais competições vinha se tornando algo cada vez mais raro para os ingleses.

Tendo chegado (com Robson) às semifinais da Copa do Mundo de 1990, na Itália, os Three Lions nem mesmo se classificaram para a de 1994, nos Estados Unidos, e foram eliminados ainda nas oitavas de final (nos pênaltis) na de 1998, na França.

Em 2002 a equipe passou pelo ''grupo da morte'' em segundo lugar, e isso determinou o seu encontro com os futuros campeões, o Brasil, já nas quartas de final. (Se tivesse terminado em primeiro em seu grupo, a Inglaterra poderia ter enfrentado a Canarinho nas semifinais.)

No Mundial de 2006 os britânicos se despediram uma vez mais nas quartas de final, ainda que nos pênaltis. Na Euro de dois anos antes, foi também nas quartas de final e nos pênaltis que os comandados de Sven-Göran Eriksson caíram.

A partir daí vieram eliminações de todos os tipos: goleada da Alemanha (Mundial de 2010), outra eliminação nos pênaltis (Euro 2012), último lugar em uma fase de grupos (Mundial de 2014) e virada da Islândia (Euro de 2016).

Em setembro de 2016, Southgate, então treinador da Inglaterra sub-21, foi nomeado como o substituto de Sam Allardyce na seleção principal. Poucos naquele momento tinham o novo comandante em alta conta, mas isso mudou rapidamente.

Sucesso imediato

Os Lions chegaram à Copa do Mundo de 2018 com um retrospecto de apenas duas vitórias em jogos eliminatórios desde que sediaram a Euro de 1996. Southgate igualou esse desempenho ao terminar em quarto lugar no torneio disputado na Rússia.

No próximo grande troféu em disputa, a Euro de 2020 (realizada apenas em 2021), a equipe foi vice-campeã, perdendo para a Itália nos pênaltis. Isso bastou para que o ex-zagueiro revelado pelo Crystal Palace chegasse contestado ao Mundial de 2022.

No recém-finalizado torneio, faltou pouco para a Inglaterra alcançar outra semifinal. Se Harry Kane tivesse convertido o pênalti aos 84 minutos do jogo contra a França, a qualidade do banco de reservas dos britânicos poderia tê-los feito superar os Bleus na prorrogação.

Críticas ao treinador

Aliás, a questão dos suplentes tem sido uma das principais críticas feitas a Southgate pelo menos desde 2018. Nessa recente derrota para a França, por exemplo, Marcus Rashford entrou apenas aos 85 minutos, e Jack Grealish apenas nos acréscimos.

No fim das contas, os ingleses mais uma vez não chegaram aonde queriam, e mais uma vez quando enfim se viram diante de um adversário de peso. Esse retrospecto negativo em jogos contra as principais seleções é outra crítica feita ao atual treinador.

Na Liga das Nações de 2018–19, a Inglaterra foi a primeira colocada num grupo que tinha Espanha e Croácia; na de 2020–21, a terceira num grupo que tinha Bélgica, Dinamarca e Islândia; e, na de 2022–23, foi rebaixada num grupo que tinha Alemanha, Itália e Hungria.

Embora críticas também tenham sido feitas quanto ao estilo de jogo da equipe, em partidas entre seleções o entretenimento conta pouco. Se numa liga de pontos corridos em 38 rodadas o importante é vencer, numa Copa do Mundo o importante é não perder.

Tomemos o exemplo do Portugal campeão da Euro 2016. Os lusos chegaram às oitavas de final sem terem conquistado um único triunfo na fase de grupos. E, em todo o torneio, só venceram uma vez nos 90 minutos regulamentares.

Mesmo a França campeã mundial de 2018, que dispunha de alguns dos jogadores mais talentosos do mundo, tinha como prioridade ser uma equipe difícil de bater. Nem sempre isso era bonito de ver, mas tal estratégia mostrou-se eficaz.

Podemos falar também da Espanha campeã de 2010, que sofreu apenas dois gols em todo o torneio (ambos na fase de grupos) e da Itália campeã de 2006, que também sofreu apenas dois gols (sendo que um foi contra e o outro de pênalti).

Assim, podemos concluir que o ''jogo feio'', por si só, dificilmente seria um fator de grande influência em uma possível destituição de Southgate. Mas também convém lembrar que a sua permanência tem muito a ver com a falta de alternativas gabaritadas.

Quem poderia tê-lo substituído?

Dois possíveis candidatos a novo técnico dos Lions seriam Lee Carsley — atual treinador da Inglaterra sub-21 — e Steve Holland — auxiliar técnico de Southgate. Ambos com praticamente zero experiência no comando de equipes adultas.

Daí se depreende que, se a Football Association estivesse disposta a buscar um nome de peso, este inevitavelmente seria o de um estrangeiro (o que provavelmente geraria certa resistência).

Alguns devem ter celebrado, outros devem ter se sentido decepcionados com a notícia da permanência do atual técnico. Mas, pelos resultados alcançados desde 2018, tudo indica que, para os ingleses, ter Gareth Southgate até a Euro 2024 será um bom negócio.

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